5 dicas de educação financeira infantil para usar hoje

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Os seus filhos têm consciência do planejamento financeiro da família? Se a sua resposta for não, está na hora de mudar. Ensinar educação financeira desde a infância torna o uso do dinheiro mais descomplicado no futuro – e evita, por exemplo, o endividamento, que no Brasil é um grande problema.

Tanto é verdade a necessidade de abordar esse assunto com os pequenos, que ele já está incorporado nas escolas. Desde 2020, a educação financeira é um tema transversal na grade curricular, conforme a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Porém, além da teoria, a criança precisa praticar e ver exemplos. É aí, então, que os pais precisam entrar em cena.

Dificuldades financeiras na pandemia e as crianças

Diminuição de renda, perda de empregos, corte de gastos e dívidas se acumulando foram constantes nos últimos meses. Com isso, a pandemia acabou criando tensão na casa de muitas famílias. E as crianças percebem, acredite. Portanto, evitar falar do problema ou fingir que ele não existe não adianta, pois isso só confunde mais.

Por elas entenderem as coisas de uma maneira mais simples e lógica do que os adultos, a educação financeira precisa estar presente de forma natural. E isso começa a partir do momento que elas compreendem as relações de consumo. Então, o primeiro passo é trazê-la para esse universo, sem tirá-la de sua realidade.

Como ensinar educação financeira para os filhos?

1.      Os estigmas sobre dinheiro

Como já mencionei, o processo deve ser natural. Sendo assim, não estimule a criação de tabus a respeito do dinheiro – isso só serve para gerar adultos sem organização financeira. Frases como “Dinheiro não traz felicidade”, “Pessoas gananciosas são ruins”, “Se ficou rico coisa boa não fez” atrapalham, e muito. Cuidado para não repetir essas frases na frente delas!

2.      Torne a criança consciente do planejamento financeiro familiar

A criança precisa saber que há um planejamento financeiro em casa. Que os adultos se reúnem regularmente para organizar contas e fazer planos. Não é segredo que aprendemos muito por imitação. Por isso, se a criança cresce com esses hábitos, ela os incluirá em sua rotina.

Explique, por exemplo, como um brinquedo foi fabricado, quantas pessoas participaram do processo e o dinheiro que recebem por isso. Depois, conte como esse dinheiro compra outras coisas, que outras pessoas fazem e assim sucessivamente. Por fim, diga como vocês, adultos da casa, também recebem dinheiro pelo que fazem e é com ele que compram a comida, o brinquedo, pagam a escola.

Contudo, passe essas informações de forma positiva, ok? Se quiser, pode usar jogos de tabuleiros e eletrônicos que utilizem um sistema de recompensa. Assim, você traz o assunto para dentro da realidade da criança e ela entende as regras do jogo.

3. Não complique demais!

Os conceitos de educação financeira são bem simples, são os adultos que complicam. Seguindo o mesmo raciocínio da dica anterior, você pode usar de estratégias mais lúdicas – porém, ao mesmo tempo, de fácil assimilação. Uma delas é você separar algumas caixinhas para cada ideia, como por exemplo:

  • Liberdade financeira – Galinha dos ovos de ouro: aquele dinheiro que fica trabalhando para você, enquanto você está dormindo, brincando e estudando. Esse dinheiro será reservado para investimentos que gerem renda passiva (ovos de ouro). Se mantiver a galinha viva e bem cuidada terá ovos para sempre;
  • Planejamento de metas – Potinho dos sonhos: ensine seus filhos a definir sonhos e transformá-los em metas claras. Isso inclui prazo para acontecer, custo definido e o porquê de querer aquilo, além de estimular a paciência e disciplina para poupar. Assim, você transformará seu filho em um adulto mais forte emocionalmente;
  • Controle do orçamento – Caixinha da diversão: O dinheiro para gastar sem culpa. Aqui é para experimentar, desde cedo, a sensação de ter dinheiro para se divertir disponível – por ser organizado com suas finanças. Isso evita uma vida adulta infeliz, destinada a só pagar contas. A vida não é só pagar boletos, mas você precisa se organizar;
  • Doação – Doação: Essa caixinha não precisa nem de sinônimo. Mas é um conceito que precisa muito ser ensinado. Estimule a criança a doar dinheiro para alguma instituição ou comprar algo para doar. Entretanto, ela precisa doar de coração, sem esperar nada em troca. 

Faça um controle mensal dessas caixinhas e converse sobre as suas caixinhas também. A cumplicidade familiar é um dos maiores fatores de sucesso no planejamento financeiro.

Você também pode inserir a educação financeira com seus filhos usando recursos lúdicos, como livros – uma dica é a publicação Dinheiro nasce em árvore primeiro livro infantil escrito por Carol Sadhler – ou ainda ensiná-los através de jogos como Banco Imobiliário e Monopoly.

4. Ensinamentos diferentes para cada fase da vida

A idade da criança também conta nesse processo. Respeite o desenvolvimento dela, adequando as orientações conforme a fase de vida em que ela está. Veja algumas propostas:

  • 2 anos: mostre que ela não pode rasgar o dinheiro e que deve ser guardado no lugar certo;
  • 4 anos: incentive a negociar nas lojas, entregar o dinheiro, receber o troco – Isso fará com que ela comece a entender o processo de troca;
  • 6 anos: entregue pequenos valores no mercado para que ela mesma escolha compras – Permitirá que ela comece a ter noção de caro e barato;
  • 8 anos: Defina uma ‘semanada’ dentro da realidade financeira de vocês. Ela gerenciará durante aqueles dias o dinheiro do lanche ou da figurinha, por exemplo. A ‘semanada’ pode tomar como base a idade da criança, como regra geral, mas é importante verificar se faz parte da realidade da família.

5. O que os pais falam X o que fazem

Não adianta você explicar tudo que falei aqui, se a família não pratica isso em casa. Se você está convidando seus filhos para uma fase de sacrifícios, por exemplo, ele precisa ver que você também está renunciando a algo também. Celebrem cada conquista juntos, desde a redução de uma conta a um bom desconto. E, sobretudo, fique atento e não cometa os erros abaixo:

  • Achar que é cedo para falar sobre dinheiro;
  • Dar as coisas antes da criança pedir;
  • Não explicar como as coisas são feitas;
  • Pagar por atividades domésticas;
  • Não saber dizer ‘não’.

Dica extra: tempo de mudanças!

Em uma situação de corte de gastos, você pode usar a jornada do herói. Explique que vocês estão passando por dificuldades, que é preciso fazer escolhas certas, e que devem permanecer na jornada até conquistar o objetivo final de vocês.

Convide a criança para uma gincana, na qual o objetivo é reduzir a conta de luz, por exemplo. Você vai ver como as crianças surgirão com ideias criativas e trabalharão em grupo para vocês atingirem esse objetivo, celebrando a economia.

Se precisar negar algo à criança, já coloque algo positivo em troca. Exemplo: “Ah, não podemos comprar esse doce agora, mas a gente pode inventar uma receita de doce juntos para fazer em casa, que tal?”.

Tenha em mente que toda mudança precisa ser gradual e transparente. Converse sobre cada uma das escolhas com a criança. Cuidado com cortes que também rompem vínculos afetivos, pois, se os pequenos fizerem essa associação podem crescer com muita dificuldade em lidar com as finanças.

Por fim, conte para a criança que a família precisa se adaptar à realidade de hoje, para evitar problemas como o endividamento. Saliente que as escolhas, por vezes doloridas, são na verdade uma prova de amor e cuidado e que, lá na frente, vai ficar tudo bem. Pois vocês estão juntos nessa.

Quer saber mais sobre o assunto? Então confira esse bate papo que tive com a jornalista e autora Carol Sadlher.

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